A todos os Cristãos que procuram reunir-se sob a direcção de Jesus Cristo, com a mesma simplicidade e pureza que caracterizou os primeiros Cristãos.



" O qual ( Jesus Cristo ), convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio "
( Actos 3:21 )




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A UNIDADE DA IGREJA NA CIDADE
Já muito ouvimos e lemos sobre a importância da Unidade da Igreja, mas nunca tanto como hoje, muitos cristãos em todo o mundo estão levantando com veemência e fé a sua voz, inquietados pelo Espírito Santo.  Eles crêem na Palavra de Deus (Efésios 4:1-6) e que o Senhor vai unir o seu povo ainda que as barreiras denominacionais neguem na prática aquilo que todos sabemos estar no coração de Deus.
Watchman Nee, com o seu livro, “A vida da igreja cristã normal”, talvez seja a pessoa que mais tem influenciado o mundo cristão, e a sua forte ênfase (o que é bíblico!) é que: Em cada localidade não pode haver mais do que uma igreja. Portanto o pensar em duas ou mais igrejas em uma localidade é totalmente antibíblico.
Honestamente precisamos olhar com os nosso olhos físicos e também espirituais para este assunto e não ficarmos inanimados diante de pensamentos tais como, “impossível” , ”ideal, porém impraticável”,  enquanto os irmãos sentem necessidade uns dos outros e querem estar juntos. Isto só pode ser obra do Espírito Santo!
Leia urgente...UNIDADE DA IGREJA NA CIDADE , e pense nisto seriamente.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Manifesto por Jesus

Carta Magna para Restauração da Supremacia de Jesus Cristo
Leonard Sweet e Frank Viola
www.leonardsweet.com
www.frankviola.com
(Tradução para o Português: Marcio Soares da Rocha)

 Os cristãos têm transformado o Evangelho em muitas coisas... coisas outras que não Cristo.
Jesus Cristo é a atração gravitacional que une tudo e dá importância, realidade e significado a tudo. Sem ele, todas as coisas perdem o seu valor. Sem ele, todas as coisas são apenas pedaços destacados flutuando no espaço.
É possível enfatizar uma verdade espiritual, um valor, uma virtude, um dom, e ainda assim perder Cristo... que é a incorporação e a encarnação de toda verdade espiritual, valor e dom.
Busque uma verdade, um valor, uma virtude ou um dom espiritual, e você obterá algo morto.
Busque a Cristo, envolva-se com Cristo, conheça a Cristo, e você terá tocado nele, que é vida. E nele reside toda verdade, valores, virtudes e dons em cores vivas. A beleza tem seu significado na beleza de Cristo, em quem se encontra tudo o que nos torna afáveis e amáveis.
O que é o Cristianismo? É Cristo. Nada mais. Nada menos. Cristianismo não é uma ideologia. Cristianismo não é uma filosofia. Cristianismo é "as boas notícias" de que beleza, verdade e bondade se encontram em uma pessoa. Uma comunidade bíblica é fundada e encontrada em conexão com essa pessoa. Conversão é mais do que uma mudança de direção; é uma mudança de conexão. O uso que Jesus fez da antiga palavra hebraica
No tocante a isto, nós percebemos uma massiva desconexão na igreja hoje. Por isto este manifesto foi feito.
Nós cremos que a maior doença da igreja de hoje é a DDJ – Déficit Desordem Jesus. A pessoa de Jesus está crescentemente politicamente incorreta, e está sendo substituída pela linguagem da "justiça", "Reino de Deus", "valores", e "princípios de liderança".
shubh, ou da sua equivalente aramaica, para chamar ao "arrependimento" implica em não ver Deus à distância, mas em entrar em um relacionamento onde Deus é o centro de comando da conexão humana. 2 Nesta hora, o testemunho que sentimos que Deus tem nos chamado a dar centraliza-se na primazia do Senhor Jesus Cristo. Especificamente: 1. O centro e a circunferência da vida cristã não é outra a não ser a pessoa de Cristo. Todas as outras coisas, inclusive as coisas relacionadas a ele e sobre ele, são eclipsadas pela percepção de seu valor ímpar. Conhecer a Cristo é Vida Eterna. E conhecê-lo profundamente, e verdadeiramente, assim como experimentar suas riquezas insondáveis, é a maior posse de nossas vidas. Deus não é tanto sobre consertar coisas erradas que aconteceram em nossas vidas; é mais sobre nos encontrar em nossa falência e nos dar Cristo. 2.
- Sigam meus ensinamentos.
Sócrates disse aos seus discípulos:
- Sigam meus ensinamentos.
Buda disse aos seus discípulos:
- Sigam minhas meditações.
Confúcio disse aos seus discípulos:
- Sigam minhas palavras.
Maomé disse aos seus discípulos:
- Sigam meus nobres pilares.
Jesus disse aos seus discípulos:
- Sigam-me.
Em todas as outras religiões, um seguidor pode seguir os ensinamentos do seu fundador sem ter um relacionamento com ele. Não é assim com Jesus Cristo. Os ensinamentos de Jesus não podem ser separados do próprio Jesus Cristo. Jesus Cristo continua vivo e ele incorpora seus ensinamentos. Então, é um grave erro tratar Cristo como um simples fundador de uma série de ensinamentos morais, éticos ou sociais. O Senhor Jesus e seus ensinamentos são um só. O transmissor e a mensagem são um só. Cristo é a encarnação do Reino de Deus e do Sermão do Monte.
Jesus Cristo não pode ser separado de seus ensinamentos. Aristóteles disse aos seus discípulos: 3. A grande missão e o eterno propósito de Deus na terra e no céu centraliza-se em Cristo... tanto o indivíduo Cristo (O Cabeça) quanto a corporação Cristo (O Corpo). Este universo está se encaminhando para o alvo final – a plenitude de Cristo, onde ele encherá todas as coisas com Ele mesmo. Ser verdadeiramente missionário, então, significa construir a vida e o ministério em Cristo. Ele é tanto o coração quanto o fluxo sanguíneo do plano de Deus. Perder isto é perder o enredo; na verdade, é perder tudo. 4. Ser um seguidor de Jesus não envolve tanto imitação quanto envolve implantação e assimilação. Encarnação – a noção de que Deus se conecta conosco na forma de um bebê e no toque humano - é a mais chocante doutrina da religião cristã. A encarnação é tanto de-uma-vez-por-todas e contínua, como aquele "que era e que há de vir" agora é e vive 3 sua vida ressurreta em nós e por meio de nós. Encarnação não se aplica apenas a Jesus; aplica-se a cada um de nós. Obviamente não do mesmo modo sacramental. Porém, parecido. A nós foi dado o "Espírito" de Deus que faz Cristo real em nossas vidas. Nós temos sido feitos, como Pedro diz, "participantes da natureza divina". Como, então, em face de tão grande verdade podemos pedir brinquedos e enfeites? Como podemos desejar dons inferiores e ansiar coisinhas religiosas e espirituais? Nós fomos tocados do alto pelo fogo do Todo-Poderoso e nos foi dada vida divina. Uma vida que atravessou a morte – a própria vida ressurreta do Filho de Deus. Como podemos não nos queimar?
Colocando em forma de pergunta: qual foi o motor ou o acelerador da impressionante vida do Senhor? Qual foi a raiz principal ou a nascente de seu comportamento? Foi esta
: Jesus viveu pelo Pai que habitava nele. Depois de sua ressurreição, o quadro agora mudou. O que Deus-Pai era para Jesus Cristo, Jesus Cristo é para você e para mim. Ele é o nosso habitante interior, e nós compartilhamos na vida o próprio relacionamento de Jesus com o Pai. Existe um vasto oceano de diferença entre tentar compelir cristãos a imitar Jesus e a aprender como assimilar e implantar Cristo. A primeira somente termina em falha e frustração. A segunda é o portal para a vida e a alegria no nosso dia-a-dia e na nossa morte. Nós ficamos com Paulo: "Cristo vive em mim." Nossa vida é Cristo. Nele nós vivemos, respiramos e temos nossa personalidade. "O que faria Jesus?" não é Cristianismo. O que o Cristianismo pergunta é: "O que Cristo está fazendo através de mim... através de nós? E como Jesus está fazendo isto?" seguir a Cristo significa "confiar e obedecer" (responder), e viver pela sua vida que habita em nós por meio do poder do Espírito. 5. O "Jesus da história" não pode ser desconectado do "Cristo da fé". O Jesus que andou nas praias da Galiléia é a mesma pessoa que habita a igreja hoje. Não há desconexão entre o Jesus do Evangelho de Marcos e o incrível, tudo-incluído, cósmico Cristo da Carta de Paulo aos Colossenses. O Cristo que viveu no primeiro século tinha uma pré-existência antes do tempo. Ele também tem uma existência depois do tempo. Ele é o alfa e o ômega, início e fim, A e Z, tudo ao mesmo tempo. Ele está no futuro e no fim do tempo no mesmo momento em que habita em cada filho de Deus. A falha em abraçar estas paradoxais verdades tem criado problemas monumentais e tem diminuído a grandeza de Cristo aos olhos do povo de Deus. 6. É possível confundir a causa de Cristo com a pessoa de Cristo. Quando a igreja primitiva disse "Jesus é Senhor" eles não estavam querendo dizer "Jesus é meu maior valor". Jesus não é uma causa; ele é uma pessoa real e viva que pode ser conhecida, amada, experimentada, entronizada, e incorporada. Focar em sua causa ou missão não se iguala a focar nele ou segui-lo. É bem possível servir ao "deus" de servir a Jesus em oposição a servi-lo com um coração arrebatado que tem sido cativado pela sua irresistível beleza e seu imensurável e incompreensível amor. Jesus nos levou a pensar em Deus de forma diferente, como um relacionamento, como o Deus de todo relacionamento. 7. Jesus Cristo não foi um ativista social nem um filósofo moral. Diminuí-lo dessa maneira é drenar a sua glória e diluir sua excelência. Justiça sem Cristo é uma coisa morta. O único navio de guerra que pode atacar e abalar os portões do inferno não é o grito de justiça, mas o nome de Jesus. Jesus Cristo é a incorporação da justiça, paz, santidade, equidade. 4 Ele é a soma de todas as coisas espirituais, o estranho "atrativo do cosmos". Quando Jesus se torna uma abstração, a fé perde seu poder reprodutivo. Jesus não veio para transformar más pessoas em pessoas boas. Ele veio para fazer pessoas mortas viverem. 8.
Jesus não deixou os seus discípulos com notas para uma teologia sistemática. Ele deixou seus discípulos com respiração e corpo.
Jesus não deixou os seus discípulos com um coerente e claro sistema de crença pelo qual se deveria amar a Deus e aos outros. Jesus deu aos seus discípulos feridas para tocar e mãos para curar.
Jesus não deixou os seus discípulos com uma crença intelectual; uma "cosmovisão cristã". Ele deixou seus discípulos com uma fé relacional.
Cristãos não seguem um livro. Eles seguem uma pessoa, e essa biblioteca de divinos e inspirados livros que nós chamamos de "Bíblia Sagrada" nos ajuda a seguir melhor esta pessoa. A Palavra Escrita é um mapa que nos conduz para a Palavra Viva. Ou como o próprio Jesus disse: "As Escrituras testificam de mim". A Bíblia não é o destino; é o compasso que aponta para Cristo, a Estrela do Norte celestial
É possível confundir um conhecimento acadêmico ou teologia sobre Jesus com um conhecimento pessoal do Cristo vivo propriamente. Esses dois estão distantes entre si quanto as centenas de milhares de milhões de galáxias. A plenitude de Cristo não pode ser acessada somente pelo lóbulo frontal. A fé cristã é racional, mas alcança e toca mistérios. A cura para uma grande cabeça é um grande coração. . A Bíblia não oferece um plano ou um manual para a vida. As "Boas Novas" não são uma nova série de leis, ou uma nova série de injunções éticas, ou um novo e melhor plano. As "Boas Novas" são a estória da vida de uma pessoa, como está refletido no credo apostólico. O mistério da fé proclama esta narrativa: "Cristo morreu, Cristo ressurgiu dos mortos, Cristo virá de novo". O significado do Cristianismo não advém de uma devoção a doutrinas teológicas complexas, mas a um amor apaixonado por um modo de vida no mundo que revolve em torno de seguir Jesus, que falou que amor é o que faz da vida um sucesso... não riqueza nem saúde, ou outra coisa qualquer, mas amor. E Deus é amor. 9.
A vida cristã, entretanto, não é uma posse individual. É uma jornada corporativa. Conhecer a Cristo e fazê-lo ser conhecido não é um projeto individual. Aqueles que insistem em voar sozinhos serão trazidos ao solo, e quebrados. Assim Cristo e sua igreja estão intimamente ligados e conectados. O que Deus tem juntado, que ninguém o separe. Nós fomos feitos para a vida com Deus; nossa única felicidade é encontrada na vida com Deus. E o prazer de Deus e seu deleite se encontra nisto também.
Somente Jesus pode transfixar e então transfigurar o vazio do coração da igreja. Jesus Cristo não pode ser separado de sua igreja. Enquanto Jesus é distinto de sua noiva, ele não é separado dela. Ela é de fato seu próprio Corpo na terra. Deus tem escolhido revestir todos de poder, autoridade e vida no Cristo vivo. E Deus em Cristo é conhecido plenamente somente na igreja e pela igreja. (Como Paulo disse: "A manifesta sabedoria de Deus – que é Cristo – é conhecida por meio da eklesia") 5 10.
Se Jesus pôde levantar dos mortos, nós podemos ao menos nos levantar de nossas camas, nos livrar de nossos divãs e de nossos assentos, e responder à vida ressurreta do Senhor dentro de nós, unindo-nos a Cristo naquilo que ele é e fará para o mundo. Nós convidamos outros a se juntarem a nós – não nos removendo do planeta terra, mas plantando mais firmemente nossos pés na terra enquanto nossos espíritos sobrevoam os céus do prazer e do propósito de Deus. Nós não somos deste mundo, mas vivemos neste mundo para o direito e os interesses de Deus. Nós, coletivamente, como a
Possa Deus ter um povo nesta terra que seja o povo de Cristo, por Cristo e para Cristo. Um povo da cruz. Um povo consumido pela eterna paixão de Deus, a qual é fazer seu filho proeminente, supremo, e o cabeça acima de todas as coisas visíveis e invisíveis. Um povo que tem descoberto o toque do Todo-Poderoso na face dos seu glorioso filho. Um povo que deseje somente conhecer o Cristo, o crucificado, e deixar todo o resto de lado. Um povo que busque abraçar sua profundidade, descubra suas riquezas, tocando sua vida, e recebendo seu amor, e fazendo d’Ele, em toda a sua imensurável glória, conhecido a outros.
Dois de nós podem discordar sobre muitas coisas – eclesiologia, escatologia, soteriologia, para não mencionar economia, globalização e política.
Mas em nossos dois mais recentes livros –
Num mundo que canta "Quem é este Jesus?" e numa igreja que canta "Ó sejamos todos como Jesus", quem irá cantar a plenos pulmões "Ó como amamos a Jesus!"? eklesia de Deus, somos Cristo neste mundo e para este mundo. "Da Eternidade ao Aqui" e "Tão Lindo" - nós temos buscado um trompete uníssono. Esses livros são a manifestação desse manifesto. Cada um deles apresenta a visão que tem capturado nosso coração e que nós desejamos implantar no Corpo de Cristo. "Uma coisa eu sei" (João 9.25) que é esta coisa que nos une a todos: Jesus, o Cristo. Os cristãos não seguem o Cristianismo; Os cristãos seguem a Cristo.
Os cristãos não pregam a eles mesmos; eles proclamam a Cristo.
Os cristãos não mostram importantes valores para as pessoas; eles mostram a cruz às pessoas.
Os cristãos não pregam sobre Cristo; os cristãos pregam a Cristo.
Há mais de 300 anos atrás um pastor alemão escreveu um hino feito em redor do Nome sobre todos os nomes:
Pergunte-me que grande coisa eu sei, que me delicia e mexe tanto comigo?
Que grande recompensa eu recebo? Em qual nome eu me glorio?
Jesus Cristo, o crucificado.
Esta é a grande coisa que eu sei; isto é o que me delicia e mexe comigo;
Fé em Cristo que morreu pra salvar, Nele, que triunfou sobre a sepultura:
6 Jesus Cristo, o crucificado. Jesus Cristo – o crucificado, ressurreto, entronizado, triunfante, vivo Senhor.
Esta é a nossa Posse, nossa Paixão e nossa Vida. Amém.


http://ajesusmanifesto.wordpress.com/
Manifesto Jesus
Para a Igreja do Século XXI

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para reflectir

Questão:
     - Os nossos serviços eclesiais (Culto, reuniões da igreja) que estão, na maioria das vezes cimentados ao redor da pregação (sermão) de um homem e do programa de adoração de um grupo musical estabelecido, reflectem as reuniões normativas que achamos em nossa Bíblia, ou são diferentes ?

domingo, 2 de janeiro de 2011

A natureza da igreja local

A NATUREZA DA IGREJA LOCAL

A Bíblia é inegavelmente clara ao dizer que todos aqueles nos quais mora a vida da Cabeça Ressuscitada, constituem a igreja. O envolvimento natural desta gloriosa verdade é que a igreja é uma família cujos membros estão unidos, organicamente relacionados entre si e inseparavelmente chegados pela vida divina. Sendo este o caso, você não pode unir-se à igreja. Se você está no Ungido, você já está unido, e por nascimento.

Bem como nossos membros estão unidos a nosso corpo físico pela vida, e não por uma organização, convite, exame ou catecismo, assim também estamos unidos a Jesus Cristo e a seu Corpo simplesmente pela vida. Se você é um crente no Ungido, então você compartilha uma nova vida com todos os demais crentes nascidos do alto. Ao fazer-se cristão, você tornou-se parte de uma nova família, e esta família se chama igreja.

É por esta razão que, com frequência, os escritores do Novo Testamento se referem à igreja como "a casa" ou "a família" de Deus (Gálatas 6:10; Efésios 2:19; 1 Timóteo 3:15; Hebreus 3:6; 10:21; 1 Pedro 2:5). De fato, enquanto os escritores neotestamentários descrevem a igreja com uma variedade de diferentes imagens —tais como um corpo, uma noiva, uma nação, um sacerdócio e um exército—, sua metáfora favorita é a família. Em todos os documentos neotestamentários podemos achar intercalados livremente termos familiares (relacionados com ‘família’) tais como ‘novo nascimento’, ‘filhos de Deus’, ‘irmãos’, ‘irmãs’, ‘pais’, ‘casa’ e outros. Mas, igualmente como ocorre com a maior parte da verdade divina, há uma vasta diferença entre dar um mero consentimento mental à natureza de família da igreja e destacar seus sóbrios envolvimentos. E é neste último que vou fixar-me ao longo deste capítulo.

Normas Familiares

Para compreender que a igreja é a família de Deus, abordemos em primeiro lugar a desafiante questão de como vive uma família. Uma família normal vive sob o mesmo teto, verdadeiro? Os membros de uma família (sã) cuidam-se uns dos outros, passam o tempo uns com os outros, admoestam-se, confortam-se uns aos outros, servem uns aos outros e atendem uns aos outros. Tipicamente, as famílias comem todos juntos e saúdam uns aos outros com afecto. É interessante o fato de que a igreja primitiva encarnava todas estas normas familiares (Atos 2:46; Romanos 12:10, 13, 16; 1 Coríntios 16:20; 2 Coríntios 13:12; Gálatas 5:13; 1 Tessalonicenses 5:26; 1 Pedro 5:14).

Não é este o quadro que está adiante de nós o tempo todo ao longo do livro de Atos? Lucas nos diz que os cristãos primitivos "estavam juntos, e tinham em comum todas as coisas" (2:44). Informa-nos que "perseveravam unânimes a cada dia no templo" (2:46), e que "a multidão dos que creram era de um só coração e alma; e nenhum dizia ser seu próprio nada do que possuía, senão que tinham todas as coisas em comum" (4:32). E por que? Porque a igreja é uma família.

O sentido de família e de comunidade era tão elevado entre os crentes primitivos, que se disse que o sistema cristão de atendimento (beneficência) no primeiro século era a terceira influência mais eficaz no império romano. Se você fosse um cristão no primeiro século, não precisava ter nenhum seguro. A igreja local era seu seguro, porque os irmãos tinham um apelo divino de levar o ônus da comunidade de crentes (Romanos 12:13; Gálatas 6:2, 9, 10; Hebreus 13:16; I João 3:17, 18) e o levava (Atos 6:1-7; 1 Timóteo 5:2-16; Hebreus 6:10). E por que? Porque a igreja é uma família.

Na igreja primitiva se recebia de braços abertos os novos convertidos. Não os ignorava nem os tratava com receio irracional. Na assembleia as crianças eram olhadas como as crianças da igreja, e os interesses de cada crente individual eram considerados como interesses da igreja (Filipenses 2:4). Os cristãos primitivos cuidavam uns dos outros e assumiam responsabilidade uns pelos outros, porque se consideravam como uma comunidade de vida compartilhada — um extenso lar de irmãos e irmãs, de pais e mães (Marcos 10:29, 30). E porquê? Porque a igreja é uma família.

A maioria dos estado-unidenses modernos não vacilam em ajudar os membros de sua família (física), quando algum desses familiares tem dificuldades económicas. Mas quantos cristãos modernos reagem da mesma maneira quando seu irmão ou irmã no Senhor têm dificuldades económicas similares? Experimentamos um sentido de obrigação familiar para ajudá-los, ou nos sentimos separados de sua situação? Semelhante pergunta perturbadora põe à prova penosamente nossa pretensa crença de que a igreja é realmente uma família.

É refrescante notar que os cristãos primitivos não se viam forçados a ir ao governo secular pedir por uma assistência económica. Em vez disso, a comunidade de crentes assumia a responsabilidade por aqueles que tinham necessidade (2 Coríntios 8:12-15; Romanos 12:13), considerando-os como "dela própria". Segundo as palavras de Paulo, os crentes primitivos se consideravam como "membros uns dos outros" (Efésios 4:25). Sendo isto assim, os cristãos primitivos operavam sobre o princípio do cuidado mútuo: "O que recolheu muito, não teve mais; e o que pouco, não teve menos." E por que? Porque a igreja é uma família.

Na igreja neotestamentária os irmãos se apreciavam uns aos outros e as relações eram eminentes. Pondo isto no contexto dos tempos modernos, se você tinha comunhão com um grupo de crentes numa localidade e mais adiante se mudava para outra comunidade, o primeiro grupo não interrompia sua relação com você. E por que? Porque a igreja é uma família; mais ainda, a igreja inteira é uma família e não uma secção particular dela. Quando nossos parentes consanguíneos se mudam a outra parte, interrompemos nossa relação com eles simplesmente porque estão fora da vista? Quão mais fortes são os laços da vida divina do que o sangue humano?

Comunidade ou Corporação?

Significativamente, os escritores neotestamentarios não usam nunca a aparência de uma corporação comercial para descrever a igreja. Diferentemente da igreja institucional, os cristãos primitivos não conheciam coisas como gastar quantidades colossais em programas e projectos de construção, em vez de assumir os ônus de seus irmãos. Muitas igrejas contemporâneas vieram a ser essencialmente nada mais que empresas muito poderosas, que se parecem mais à General Motors do que à comunidade apostólica. Com uma excelente eloquência Hal Miller escreve:

Desafortunadamente, a metáfora que domina à maior parte da cristandade estadunidense não nos ajuda muito; comummente visualizamos a igreja como uma corporação. O pastor é o CEO (Oficial Executivo Principal); há comités e juntas. O evangelismo é o processo industrial mediante o qual fazemos nosso produto, e as vendas podem ser traçadas num diagrama, comparadas e previstas. Assim, este processo industrial tem lugar numa economia de crescimento, de modo que toda igreja/corporação cujas cifras de venda não superaram às do ano passado, está em dificuldades. Os estado-unidenses são bastante ingénuos em sua atadura à metáfora de corporação. E a mesma não é nem sequer bíblica ("Church as Body, Church as Family /A igreja como Corpo, a igreja como família", em Voices in the Wilderness, Maio /junho 1989).

Lamentavelmente, muitos cristãos modernos sucumbiram à embriagante sedução de uma sociedade individualista, materialista, de orientação mercantil, conduzida pelo consumidor, interessada e egoísta. Por contraste, a igreja neotestamentária não se encerrou numa mentalidade de ‘como sempre’, ‘quanto maior, melhor’. Não sabia nada sobre um pessoal profissional pago que mantivesse os demais irmãos em uma distância prudente (sendo apenas verdadeiramente informais com outros profissionais da mesma profissão). Também não sabia nada sobre um sistema de castas separado, na qual aqueles que eram elevados a posições de autoridade oficial, olhavam acima do ombro a seus irmãos parceiros através de lentes artificiais de espelhos clericais.

Pelo contrário, os líderes da igreja neotestamentária consideravam a si mesmos como meros irmãos - membros da mesma família — que não tinham nenhuma designação que tendesse para a separação. Cada membro, inclusive cada líder, era facilmente acessível aos demais membros. O espírito de comunidade, de relação pessoal e de união era preeminente entre todos os cristãos primitivos. Tinham intimidade, eram interdependentes, crescendo sempre juntos para chegar à Cabeça. Dessa maneira, os crentes primitivos não só professavam ser uma família, mas viviam como uma família.

Em suma, a igreja revelada na Bíblia é uma família amorosa, não um negócio. É um organismo vivo, não uma organização. É a expressão corporativa do Senhor, não uma corporação religiosa. É a comunidade do Rei, não uma máquina hierárquica bem lubricada. Este ensino não se acha apenas nos exemplos mostrados em Atos, mas está salpicado ao longo das epístolas paulinas, atingindo seu ponto mais elevado nas cartas de João. Na linguagem dos apóstolos, a igreja se compõe de infantes, meninos, irmãos, irmãs, jovens, mães e pais —a linguagem e conjunto de imagens de uma família (1 Coríntios 4:15; 7:15; 1 Timóteo 5:1, 2; Tiago 2:15; 1 João 2:13, 14).

A Singeleza do Ungido

Tragicamente, o cristianismo se tornou algo muito apartado do que era no primeiro século. A igreja se tornou demasiado complexa, e de muitas maneiras caiu dessa sua posição espiritual e celestial. Mais especificamente, a igreja voltou a ser algo que se parece mais com um negócio, do que com aquilo que Deus propôs que fosse —uma bem unida comunidade solícita e compassiva ao estilo do Ungido, centrada na Pessoa do próprio Jesus Cristo. A advertência de Paulo soa exatamente tão real hoje como soava no primeiro século:

O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a Ele como uma virgem pura. O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua SINCERA E PURA DEVOÇÃO A CRISTO /da SIMPLICIDADE QUE ESTÁ EM CRISTO — Versão inglesa King James/( 2 Coríntios 11:2, 3).

Oh, a simplicidade que está no Ungido!

A.W. Tozer assinala muito bem a obsessão da cristandade moderna com respeito ao poder, e sua tendência para a complexidade, coisas que agridem a visão bíblica da igreja como uma família:

As igrejas correm para a complexidade como os patos correm para a água. Que há por trás disto? Em primeiro lugar, creio que isso surge de um desejo natural mas carnal de parte de uma minoria talentosa, de trazer a uma maioria menos dotada à submeter-se a eles, para levá-la de forma a não impedirem suas crescentes ambições. O seguinte ditado, citado frequentemente, serve tanto para a religião como para a política: ‘O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.’ O desejo de ser uma celebridade é uma doença para a qual não se encontrou nunca nenhuma cura natural... Em nossa vida completamente decaída há uma forte tracção gravitacional para a complexidade, que nos afasta das coisas simples e reais. Parece que há uma espécie de triste inevitabilidade por trás de nosso mórbido impulso para o suicídio espiritual. Apenas mediante o discernimento profético, a oração vigilante e o árduo trabalho podemos inverter esta tendência e recuperar a glória perdida (God Tells the Man Who Cares /Deus revela-se ao homem que se interessa/).

Quanto almeja o Senhor que seu povo retorne à simplicidade e à pureza que caracterizavam à igreja primitiva —a simplicidade e a pureza qsão as características principais de uma vibrante e amante família. Não é este o mesmíssimo anseio que suspira constantemente no recôndito do coração de cada pessoa —o desejo de ser parte ativa de uma acolhedora e solícita família? Não é isto o que nossos jovens estão procurando e a estão substituindo a esmo por ligas, cabarés, seitas, fraternidades revoltosas, desenfreadas irmandades femininas, relações sexuais superficiais e coisas semelhantes?

Dito claramente, uma igreja pode ter a mais alvoroçante música de louvor, os maiores oradores e os melhores programas evangelísticos, mas se não funciona como uma família genuína, bem unida e ministrante, então não pode chamar-se com justiça de igreja bíblica! Recordemos sempre que o amor é o distintivo da ejkklesiiva /ekklesia/ cristã.

Que o Senhor nos ajude a experimentar a igreja como uma família real, em vez de apenas em mera retórica, e que Ele nos livre dessa mentalidade estadunidense de corporação, que converteu nossas igrejas locais em clubes sociais, máquinas políticas, sacerdócios passivos e famílias ‘disfuncionais’, que sustentam a noção não bíblica de um sistema de clero/leigo. Retornemos à realidade neotestamentária de que se pertencemos a Jesus Cristo, então pertencemos uns aos outros. E vivamos como a família de Deus, de tal modo que se cumpram as palavras de nosso Salvador: "Nisto sereis conhecidos como meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros."

extraído do livro "Reconsiderando o odre" by Frank Viola, cap.4